O Festival de Wesak

A ocasião escolhida para este prodigioso jorro de energia é a da lua cheia do mês indiano de Vaisakh (chamado Wesak no Ceilão), que comumente corresponde ao nosso mês de Maio, quando ocorre o aniversário de todos os acontecimentos mais importantes de vida terrena de Buda: o seu nascimento, seu atingimento do Budado, o seu desenlace do corpo físico.
Em conexão com esta sua visita, e inteiramente à parte de sua tremenda significação esotérica, realiza-se uma cerimônia esotérica no plano físico, em que o Senhor efetivamente se mostra na presença de uma multidão de peregrinos comuns. Se ele se mostra aos peregrinos eu não sei; eles se prostam no momento em que ele aparece, mas pode ser apenas em imitação à prostração dos Adeptos e de seus discípulos, que vêem o Senhor Gautama. Parece provável que pelo menos alguns dos peregrinos o tenha visto pessoalmente, pois a existência da cerimônia é amplamente conhecida entre os budistas da Ásia Central, e é referida como sendo a aparição da Sombra ou Reflexo do Buda. A descrição que disso fazem os relatos tradicionais é, em geral, razoavelmente exata. Tanto quanto podemos ver, parece não haver nenhuma razão para que quem quer que naquela ocasião esteja na vizinhança não possa estar presente à cerimônia; aparentemente não se faz nenhum esforço para restringir o número de espectadores, conquanto seja verdade ouvir-se falar de grupos de peregrinos que vagaram durante anos sem poder encontrar o local.
Todos os membros da Grande Fraternidade Branca, exceto o Rei e seus três discípulos, assistem habitualmente à cerimônia, e não há motivo para que qualquer de nossos ardorosos irmãos teosofistas não pudessem presenciá-la em seus corpos astrais. Aos que se confiou o segredo, procuram geralmente dispor as coisas de maneira a fazer seus corpos físicos adormecerem mais ou menos uma hora antes do momento exato da lua cheia, e não serem perturbados até cerca de uma hora depois.
O lugar escolhido é um platô rodeado de colinas não nuito altas, ao norte dos Himalayas, não longe da fronteira de Nepal e talvez a uns 640 Km a oeste de Lhasa. O pequeno platô é de configuração toscamente oblonga, de uns 2 Km de com primento por um pouco menos de largura. O terreno declina ligeiramente do sul para o norte, e é na maior parte árido e pedregoso, salvo em alguns pontos cobertos de basta e achaparrada vegetação. Um riacho corre pelo lado ocidental do platô, atravessa o seu ângulo noroeste e sai pelo meio do lado setentrional, através de um desfiladeiro coberto de pinheiros, até atingir um lago a uns quilômetros de distância. A região circundante parece silvestre e inabitada, não havendo à vista nenhum edifício, a não ser duas ou três choças junto as ruínas de uma stupa nas fraldas de uma das colinas do lado oriental do platô. Perto do centro da metade oriental há, à guisa do altar, um enorme bloco de granito cinzento branco com betas de matéria brilhante, de uns quatro metros de comprimento por dois de largura, e elevando-se a um metro sobre o solo.
Desde alguns dias antes da data designada, as margens do riacho e as fraldas das colinas circundantes se vão povoando de grupos de tendas de estranho e tosco aspecto, a maioria delas pretas, de modo que aquela comumente desolada paragem se converte no animado acampamento de uma multidão. Chaga grande número de pessoas das tribos nômades da Ásia Central e algumas dos lugares muito distantes ao norte. Na véspera do plenilúnio, todos os peregrinos tomam um banho especial, de caráter religioso, e lavam suas roupas em preparação para presenciar a cerimônia.
Algumas horas antes do plenilúnio, os peregrinos se aglomeram na parte setentrional do platô e se sentam quieta e ordenadamente no solo, cuidando de deixar um largo espaço livre diante do altar. Geralmente assistem vários Lamas, que aproveitam o ensejo para fazer palestras aos concorrentes. Uma hora antes do exato momento do plenilúnio, começam a chegar as formas astrais, entre as quais se contam as dos membros da Fraternidade, alguns dos quais se materializam para que os peregrinos os possam ver. Estes se ajoelham e prostram em sua presença. Amiúde nossos Mestres e alguns ainda superiores a eles condescendem nesta oportunidade em conversar com seus discípulos e com outros presentes. Entrementes, os para isso designados dispõem o altar da cerimônia, cobrindo-o de formosíssimas flores e colocando uma enorme grinalda do sagrado lótus em cada ângulo. No centro se coloca uma magnífica concha de ouro cinzelado, cheia de água, e deixa-se diante dela um espaço sem flores.
A Cerimônia
Cerca de meia hora antes do momento do plenilúnio, a um sinal do Mahachohan, os membros da fraternidade se reúnem no espaço livre do platô, ao norte do altar, e colocam-se em três filas num amplo círculo, de frente para o altar, estando o círculo externo composto dos membros mais novos da Fraternidade, e ocupando os Oficiais superiores certos pontos no círculo interno.
Depois se canta em edioma pali alguns versículos das escrituras budistas, e ao terminar o canto materializa-se o Senhor Maitréya no centro do círculo, com o Cetro do Poder na mão. Este maravilhoso símbolo é de alguma maneira um centro ou fulcro físico para as energias vertidas pelo Logos Planetário, e foi magnetizado por Ele há milhões de anos quando a primeira vez pôs a onda de vida humana em movimento ao redor de nossa cadeia de mundos.
Foi-nos dito que o Centro de Poder é o sinal físico da concentração e atenção do Logos, e que ele é transportado de planeta para planeta à medida que essa atenção se desloca, e que onde ele se acha, esse é no momento, o palco central da evolução, e que quando ele passar deste planeta para o próximo, nossa Terra mergulhará em relativa inércia. Ignoramos se o Cetro é também transportado para globos não físicos, e também ignoramos a maneira de usá-lo, nem a parte que desempenha na economia do mundo. Comumente está ao cuidado do Senhor do Mundo, em Shamballa, e tão-só o emprestam ao Senhor Maitréya por ocasião do festival de plenilúnio de Wesak. É um cilindro de metal desconhecido dos químicos terrenos, chamado oricalco, de uns sessenta centímetros de comprimento por cinco de diâmetro, tendo engastado em cada extremidade um grosso diamante talhado em forma de esfera projetado em ponta cônica, e sempre parece rodeado de uma aura de brilhante e transparente chama. É de se notar que durante a cerimônia unicamente o Senhor Maitréya o toca e maneja.
Ao materializar-se o Senhor Maitréya no centro do círculo, todos os adeptos se inclinam reverentemente ante ele, e canta-se outro versículo. Enquanto perdura o canto o círculo interior de adeptos se divide em oito segmentos para formar uma cruz dentro do círculo exterior, cujo centro continua sendo ocupado pelo Senhor Maitréya. No imediato ato seguinte deste pomposo ritual, a cruz se converte em triângulo em cujo o vértice, próximo ao altar, se coloca o Senhor Maitréya. Sobre o altar ele deposita reverentemente o Cetro de Poder no espaço contíguo a concha de ouro e o triângulo de adepto se transforma numa figura curva, em que todos ficam de frente para o altar. No movimento seguinte, a figura curva se transmuta num triângulo invertido, na qual o emblema da Sociedade Teosófica, embora sem a serpente. O triângulo invertido muda-se depois na estrela de cinco pontas, cujo vértice meridional próximo do altar é ocupado pelo Senhor Maitréya, e os demais dignitários ou Chohans ocupam os cinco pontos de intersecção dos lados.
Ao chegar a este sétimo e final ato, cessa o canto, e após alguns instantes de solene silêncio, o Senhor Maitréya impunha o Cetro de Poder, e levantando-o acima da cabeça, exclama com voz sonora, em língua pali:
- Tudo está pronto; vem, Mestre!
Depois, ao depor o novo ígneo Cetro, no exato momento do plenilúnio, aparece o Senhor Buda como uma gigantesca figura flutuando no espaço, precisamente acima das colinas meridionais. Os membros da Fraternidade se inclinam com as mãos juntas e a multidão atrás deles se prostram de rosto no solo, e assim permanece enquanto os cantores entoam os três versículos que o próprio Buda havia ensinado durante a sua última vida terrena:
“ O Senhor Buda, o Sábio dos Sákyas, é o melhor dos instrutores da humanidade. Ele fêz o que tinha de fazer e passou para a outra orla (o Nirvana). Ele está cheio de fortaleza e energia. Eu tomo por guia o Bem-aventurado Ser.
A verdade é imaterial. Ela nos liberta da paixão, do desejo e da tristeza. É imaculada, doce, simples e lógica. Eu tomo essa Verdade por guia.
Tudo quanto se dá às oito categorias dos Nobres Seres, que aos pares formam os quatro graus e conhecem a verdade, traz realmente grande recompensa. Eu tomo por guia essa Fraternidade dos Nobres Seres.”

A GRANDE BÊNÇÃO

Depois a multidão se levanta e contempla a presença do Senhor enquanto a Fraternidade canta em benefício do povo as nobres palavras do Mahânangala Sutta, que foi assim traduzido pelo professor Rhys Davids (foram aqui introduzidas algumas modificações extraídas das fontes, quando pareceram positivos aperfeiçoamentos):

Em seu anseio pelo bem, muitos devas e homens
Têm ressaltado várias coisas dignas de bênçãos;
Esclarece-nos, pois, ó Mestre, qual é a maior bênção?

Não servir os insensatos,
Mas servir os sábios;
Honrar os merecedores de honra:
Esta é a maior bênção.

Morar em país ameno,
Ter feito boas obras num nascimento anterior,
Ter uma alma cheia de retos desejos:
Esta é a maior bênção.

Muito discernimento e muita educação,
Domínio próprio e mente bem disciplinada,
Palavras amáveis e bem ditas:
Esta é a maior bênção.

Ajudar o pai e a mãe,
Acarinhar esposa e filho,
Seguir uma vocação pacífica:
Esta é a maior bênção.

Dar esmolas e viver retamente,
Auxiliar os parentes,
Praticar atos irrepreensíveis:
Esta é a maior bênção.

Abominar o pecado e cessar de praticá-lo,
Abster-se de bebidas embriagantes,
Ser incansável na prática do bem:
Esta é a maior bênção.

Reverência e humildade,
Contentamento e gratidão,
Ouvir a Lei nas ocasiões devidas:
Esta é a maior bênção.

Ser longânimo e dócil,
Associar-se aos tranquilos,
Palavras religiosas nas ocasiões devidas:
Esta é a maior bênção.

Autodomínio e pureza,
Conhecer as Quatro Nobres Verdades,
Realizar o Nirvana:
Esta é a maior bênção.

Sob o golpe das mutações da vida,
Manter-se a alma incomovível,
Sem paixão, nem tristeza, mas segura:
Esta é a maior bênção.

Em todas as partes invencível
É aquele que assim procede;
Em todas as partes ele anda seguro:
E sua é a maior bênção.

A figura que flutua sobre as colinas é de enorme tamanho, mas reproduz exatamente a forma e as características do último corpo que o Senhor usou na terra. Ele aparece com as pernas cruzadas e as mãos juntas, vestido com o manto amarelo dos monges budistas, mas deixando desnudo o braço direito. Não é possível descrever exatamente o aspecto do rosto, em verdade divino, pois harmoniza a sabedoria e o amor, a serenidade e a fortaleza numa só expressão, que reúne tudo quanto podemos imaginar do divino. A cor do rosto é branco-amarela, e os traços claramente delineados. A fronte é larga e nobre; os olhos rasgados, brilhantes e intensamente azuis; o nariz levemente aquilino; os lábios vermelhos e firmemente cerrados. Mas tudo isto só nos mostra a máscara corpórea e apenas nos dá uma idéia do vívido conjunto. O cabelo é preto, quase azulado, mas não comprido como se usava na Índia, nem rapado como o dos monges orientais, senão cortado antes de chegar aos ombros, partido pelo meio e estendido da frente para trás. Diz-se que quando o príncipe Siddartha deixou o lar paterno em busca da verdade, agarrou sua longa cabeleira e cortou-a acima da cabeça com um só golpe de sua espada, e que desde então a conservou no mesmo comprimento.
Uma das mais surpreendentes características desta maravilhosa aparição é a esplêndida aura que circunda a figura. Dispõe-se em esferas concêntricas, tal qual as auras de todos os seres altamente evoluídos; sua configuração geral é a mesma da do Arhat mostrada na Lâmina XXVI do livro Homem Visível e Invisível, mas a disposição de suas cores é única. A figura está englobada de luz que é ao mesmo tempo algo deslumbrante e transparente; tão brilhante que a vista dificilmente pode fixar-se nela, e no entanto através dela o rosto e a cor do manto se distinguem com clareza perfeita. Circunda tudo isso uma faixa de glorioso ultramarino; depois, em sucessão, ouro- amarelo, riquíssimo carmesim, puro branco-argênteo e um magnífico escarlate; todos são por certo realmente esferas, embora aparentando faixas quando observados contra o céu. Irradiando em ângulos retos, fora de todos estes, estão os raios de todos os matizes entremesclados, e disseminados com cintilações de verde e de violeta, como observamos ao atentar para nosso frontispício.
Estas cores, exatamente nesta ordem, são descritas em antigas escrituras budistas como constituindo a aura do Senhor; e quando, em 1885, se reputou desejável encontrar-se a bandeira especial para os budistas do Ceilão, nosso Presidente-Fundador, coronel Olcott, em consulta com os irmãos cingaleses em Colombo, desenvolveu a idéia de utilizar para esse fim esse mesmo agrupamento de cores. Diz-nos o coronel que alguns anos antes ele havia aprendido do embaixador tibetano junto ao Vice-rei da Índia, que encontrou em Darjeeling, que as cores são as mesmas figurantes na bandeira do Dalai Lama. A idéia deste estandarte simbólico parece haver sido amplamente aceita; eu próprio o vi em templos budistas, em lugares muito afastados como Rangoon e Sacramento na Califórnia.
É sem dúvida impossível obter numa ilustração impressa qualquer aproximação do brilho e pureza das cores tal como se vêem no céu; o máximo que podemos fazer é oferecer uma sugestão que ajude a imaginação do leitor.
Nos primitivos livros descrevemos o escarlate na aura do homem como expressando apenas ira; tal acontece no astral inferior comum; porém muito à parte disso, notamos que nos níveis superiores um escarlate muito mais magnífico e luminoso denota a presença de intrépida coragem e alta determinação. É sem dúvida denotando a posse destas qualidades num grau superlativo, que elas aparecem na aura do Senhor Buda. Poderíamos conjecturar que a proeminência alto extraordinária desta brilhante faixa escarlate pode ser significativa da manifestação especial das qualidades naquela prolongada obra de autodesenvolvimento a que eu me referi na página 259.
O senhor Maitreya, que toma parte tão proeminente nesta cerimônia, com o decorrer do tempo, será o ocupante do cargo que hoje o Senhor Buda é detentor.

(Texto extraído do livro "Os Mestres e a Senda", de C.W. Leadbeater - Ed. Pensamento)


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